A dessacralização na obra de José Saramago

Gisela Maria de Lima Braga Penha



 

Resumo: Este artigo busca demonstrar como a dessacralização acontece em Memorial do convento e O evangelho segundo Jesus Cristo e a torna uma dos elementos constitutivos do texto de José Saramago.

Palavras-chave: José Saramago; dessacralização; Memorial do convento; Evangelho segundo Jesus Cristo; Literatura portuguesa.

 

Abstract: This article intends to demonstrate how deconsecration is presented in The memorial of the convent and The gospel according to Jesus Christ . Deconsecration has become, in this sense, one of the elements that takes part in Saramago’s text.

Key-words: Jose Saramago; deconsecration; The Memorial of the convent; The gospel according to Jesus Christ; Portuguese literature.


 

 

                        Escritor, dramaturgo, jornalista, contista, romancista e poeta português, José Saramago é conhecido, entre outras coisas, por ser polêmico. O ganhador do Prêmio Nobel de Literatura (1998) recebe inúmeras críticas por suas colocações, assim como por temas abordados em algumas obras, como por exemplo, O evangelho segundo Jesus Cristo.

                        Ao mesmo tempo em que recebe críticas, é elogiado: em 2003, o crítico norte-americano Harold Bloom, em seu livro Genius: a mosaic of one hundred exemplary creative minds, considerou Saramago “o mais talentoso romancista vivo nos dias de hoje”, referindo-se a ele como “o Mestre”. Declarou ainda que Saramago é um dos últimos titãs de um gênero literário que se está a desvanecer”.

                        Em uma entrevista, o escritor Moacyr Scliar diz: “Saramago não é só um grande escritor, mas um triunfo para a língua portuguesa e a sua Literatura”. Para a professora da UNB, Sylvia Cyntrão, “Saramago trabalha com a cultura portuguesa, mas as histórias se abrem para que a gente possa pensar o ser humano. Quando você lê a história de alguns personagens, você trabalha questões psicológicas internas sem saber. Portanto, é uma obra de cunho universal”.

                        Para Leyla Perrone-Moisés, em Inútil poesia, “desde o Memorial do convento, ele tem conseguido uma proeza raríssima na Literatura moderna: ser respeitado pela crítica especializada, ser objeto de pesquisa e ensino em universidades de vários países e ter imediatamente um vasto público leitor, nos países desua língua e em todos aqueles em que foi traduzido”(2000, p.184).

                        De um modo geral, podemos dizer que toda engenhosidade narrativa centra-se em um narrador demiurgo, uma criatura intermediária entre a natureza humana e a divina, um manipulador extremado. É a partir dele que podemos ver de que modo a narrativa vai sendo construída, como afirma em Ensaio sobre a cegueira:

 

As palavras são assim, disfarçam muito, vão-se juntamente umas com as outras, parece que não sabem aonde querem ir, e de repente, por causa de duas ou três, ou quatro que de repente  saem, simples em si mesmas, um proome pessoal, um advérbio, um verbo, um adjectivo, e aí temos a comoção a subir irresistível à superfície da pele e dos olhos, a estalar a compostura dos sentimentos

 

                       

                        Extremamente consciente do poder da palavra e de suas inúmeras possibilidades de significação, frequentemente, o narrador nos apresenta um mundo  sombrio e amargo, desencantado. O romance Ensaio sobre a cegueira é um exemplo cabal de como a humanidade pode atingir o nível da barbárie.

                        Ao revisitar e revirar os fatos vistos como absolutos, parece-nos que José Saramago quer nos apontar outros caminhos. Assim, em Memorial do convento há a revisão da história e nela redescobrimos novos e injustiçados heróis; em A jangada de pedra, há a indagação da condição portuguesa no espaço ibérico e no espaço europeu, feita  por um engenhoso deslocamento da Península Ibérica e das personagens do romance; em O evangelho segundo Jesus Cristo, faz-se a revisão de mitos, crenças e valores fundamentais da cultura ocidental. Aqui a figura do Diabo é retratada como mais misericordiosa que Deus, visto como inclemente e ambicioso. Contrariamente ao que acontece em nossa sociedade patriarcal, as personagens femininas tem posições de destaque: a mulher do médico em Ensaio sobre a cegueira, Blimunda de Memorial do convento.

                        Examinaremos mais detidamente dois romances: Memorial do convento (1982) e O evangelho segundo Jesus Cristo (1991) para mostrarmos como se dá a dessacralização, ou seja, a retirada do caráter sagrado da história e do texto bíblico respectivamente.

                        Segundo Ernesto Manuel de Melo e Castro, em A Literatura portuguesa de invenção:

 

Transgredir significa atravessar ou ir além de. A transgressão é um conceito que exprime a consequência de uma situação de conflito entre a norma e a não-norma e que se traduz na quebra da norma. Como conceito estético apropriado interdisciplinarmente à ciência jurídica, a transgressão propõe uma estética não normativa, aberta, dinâmica e polissêmica, autotélica portanto, mas também dialética. As situações de conflito entre a norma e a não-norma (neste caso estéticas) são, por isso,  a própria estrutura da poética. A obra produzida será em si própria demolidora da norma e proponente de uma codificação, esta agora não necessariamente normativa: síntese. O conflito é assim a manifestação superficial no nível da competência. Este é o substrato gerador do texto poético. Não admira que as situações de conflito social, moral, psicológico, político, ideológico, religioso, afetivo, econômico, etc, sejam a substância do poeta. (grifos nossos)

 

                        Embora trate diretamente de texto poético, podemos nos servir de suas colocações para mostrarmos que a dessacralização nesses dois romances é o substrato gerador, a força motriz que os constitui.

                        Dessacralizar significa tirar o caráter sagrado de. Sagrado: que se consagrou ou que recebeu a consagração; concernentes às coisas divinas, à religião; inviolável, puríssimo; profundamente respeitável; que não deve ser tocado, infringido. Ao dessacralizar, Saramago retira o caráter de sagrado e torna possível trazer à discussão algo tido como inviolável. A nosso ver, a dessacralização é um dos meios utilizados para obter a transgressão e, portanto, ir além, como nos aponta o poeta português Melo e Castro. Como opera transgressivamente seus textos?

                        Memorial do convento é um romance histórico que busca reconstituir a época (século XVIII) e a construção de um convento na cidade portuguesa de Mafra. No entanto, não temos aqui um romance histórico tradicional , como Eurico, o presbítero, de Alexandre Herculano. Ao contrário. A busca não se faz simplesmente para reconstruir a época,  mas para mostrar que, embora os fatos históricos não possam ser negados, a maneira de os narrar pode modificar o seu sentido, ou seja, a visão histórica é passível de ser revista e, portanto, não detém a “verdade”.

                        Assim, desde o início, o relato histórico vai sendo ironizado e satirizado pela inclusão de dados indignos de uma crônica real. A cama real “recozendo a cheiros e secreções”; a rainha “enroscada como toupeira”, os incômodos percevejos.

                        Ao retratar as personagens da realeza e do clero, o narrador é profundamente irônico e nessas passagens, podemos ver a maestria com que constrói (ou destrói) uma possível adesão do leitor a essas personagens.

                        Ao retratar o rei:

 

El-rei anda muito achacado, sofre de flatos súbitos, debilidade que já sabemos antiga, mas agora agravada, duram-lhe os desmaios mais do que um vulgar fanico, aí está uma excelente lição de humanidade ver tão grande rei sem dar acorde de si, de que lhe serve  ser senhor da Índia, África e Brasil, não temos nada neste mundo, quando temos cá fica. (p.112)

 

                        Ao mostrar a abertura do convento, objetivo principal do rei e da própria narrativa, o narrador diz: “enfim, chegou o mais glorioso dos dias, a data imorredoira de vinte e dois de Outubro do ano da graça de mil setecentos e trinta, quando el-rei D. João V faz quarenta e um anos e vê sagrar o mais prodigioso dos monumentos que em Portugal se levantaram, ainda por acabar, é verdade” (p.350) (grifos nossos).

                        No trecho a seguir, podemos ver a criatividade e sutileza com que são descritas as mazelas do clero para forçar a construção do convento:

 

Agora não se vá dizer que, por segredos de confissão divulgados, souberam os arrábidos que a rainha estava grávida antes mesmo que ela o participasse ao rei. Agora não se vá dizer que D. Maria Ana, por ser tão piedosa senhora, concordou calar-se o tempo bastante para aparecer com o chamariz da promessa o escolhido e virtuoso frei António. Agora não se vá dizer que el-rei contará as luas que decorrerem desde a noite do voto ao dia em que nascer o infante, e as achará completas. Não se diga mais do que ficou dito. Saiam então todos absolvidos os franciscanos desta suspeita, se nunca se acharam noutras igualmente duvidosas. (p.26)

 

                        Em outro trecho, a dessacralização é feita por meio da incorporação da estrutura da ladainha a uma fala que contradiz o que está sendo dito:

 

Podes começar já pela primeira palavra, que é a casa de Jerusalém onde Jesus Cristo morreu por todos nós, é o que dizem,  e agora as duas palavras, que são as duas Tábuas de Moisés onde Jesus Cristo Pôs os pés, é o que dizem, e agora as três palavras, que são as três pessoas da Santíssima Trindade, é o que dizem .... (p.194)

 

                        É interessante dizer que o trecho acima é uma versão saramaguiana para uma oração muito popular em Portugal – a oração do Anjo Custódio.

                        As personagens principais não são o rei e a rainha, mas os plebeus Blimunda e Baltasar, os quais recebem tratamento diferenciado por parte do narrador:

 

Baltasar Mateus, o Sete-Sóis, está calado, apenas olha fixamente Blimunda, e de cada vez que ela o olha a ele sente um aperto na boca do estômago, porque olhos como estes nunca se viram, claros de cinzento, ou verde, ou azul, que com a luz de fora variam ou o pensamento de dentro, e às vezes tornam-se negros nocturnos ou brancos brilhantes como lascado carvão de pedra (p.55).

 

                        Ou ainda neste trecho:

 

Mas é um constante sol para esta mulher, não por sempre brilhar, mas por existir tanto, escondido de nuvens, tapado de eclipses, mas vivo, Santo Deus, e abre-lhe os braços... Ambos são o  escândalo de Mafra, agarram-se assim um ao outro na praça pública, talvez porque se vejam mais novos do que são, pobre cegos, ou proventura serão estes os únicos seres humanos que como agora são se vêem, e esse é o modo mais difícil de ver, agora que eles estão juntos até os nossos olhos foram capazes de perceber como se tornaram belos (p.326)

 

                        Como podemos notar, o narrador ao tratar de Baltasar e Blimunda  o faz por meio de uma linguagem extremamente poética e bonita. A união entre os dois é vista como natural e esperada, tanto que ao final do livro, os dois permanecem juntos, mesmo após a morte de Baltasar.

                        Assim, parece-nos que Memorial do convento conta a história dessa construção por meio de uma visão não privilegiada, dos excluídos e, nesse, sentido vai ao encontro das características propostas por Linda Hutcheon (A poética do pós-modernismo) para a denominada metaficção historiográfica.

                        O evangelho sendo Jesus Cristo, publicado em 1991, gerou muitas polêmicas, principalmente por  parte do Vaticano e do governo português. Por ter sido proibido de concorrer a um prêmio com essa obra, Saramago mudou-se de Portugal e passou a viver na Espanha.

                        A reescrita de um livro sagrado já é um tipo de dessacralização, mas o texto  vai mais longe e revira nosso mito fundador judeu-cristão. A epígrafe de Pilatos: “o que escrevi,escrevi”, é ambígua e pode ser entendida, não só como a atitude autoritária de quem se recusa a voltar atrás por ser o detentor do poder; mas também a denúncia irônica – feita pelo narrador – à característica da linguagem: uma vez escrita, ela pode ser lida e relida inúmeras vezes, ou seja, após escritos, os evangelhos sagrados tornam-se textos, portanto, passíveis de diferentes leituras.

                        Neste romance, o narrador buscará mostrar que Jesus foi um homem comum, com medos, desejos, e principalmente culpa, um conceito extremamente caro aos católicos. O nascimento de Jesus é assim descrito: “O filho de José e de Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo de sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo.”(p.83).

                        Jesus vive maritalmente com Maria de Magdala :”Conhece esta mulher há uma semana, tempo e vida bastantes para saber que se for para ela encontrará uns braços abertos e um corpo oferecido”. (p.307). A relação entre os dois é harmônica e o narrador esforça-se para mostrar que há amor entre ambos, mesmo que ela tenha sido prostituta. Neste sentido, podemos ver que a relação de Jesus e Maria de Magdala é semelhante a de Baltasar e Blimunda de Memorial do convento: natural, amorosa, desejada.

                        Em um dos trechos mais bonitos e instigantes, há o encontro entre Deus, Jesus e o Diabo. O primeiro é mostrado como perverso, cruel e ambicioso. Jesus, ao saber de seu futuro (a crucificação), nega e tenta ter outro destino. As maldades do Diabo são amenizadas pelo narrador.

                        Em O evangelho segundo Jesus Cristo, as razões pelas quais Deus quer que seu filho morra são as mais egoístas e anti-humanitárias possíveis. Eis  o que ele diz:

                       

Estou e não estou, ou melhor, estaria se não fosse este inquieto coração meu que todos os dias me diz Sim Senhor, bonito destino arranjaste, depois de quatro mil anos de trabalho e preocupações, que os sacrifícios nos altares, por muito abundantes e variados nos sejam, jamais pagarão, continuas a ser o deus de um povo pequeníssimo que vive numa parte diminuta do mundo... Se cumprires o teu papel, estou certíssimo de que em pouco mais de meia dúzia de séculos, embora tendo de lutar, eu e tu, com muitas contrariedades, passarei de deus dos hebreus a deus dos que chamaremos católicos. (p.370)

 

                         

                        Se há um deus em O evangelho segundo Jesus Cristo, é o próprio narrador: “não seria de todo crível que Jesus, na sua idade, andasse com estas palavras na boca, qualquer que fosse o sentido em que as usasse, mas nós , sim, que, como Deus, sabemos do tempo que foi, é e há de ser, nós podemos pronunciá-las, murmurá-las ou suspirá-las enquanto o vamos vendo entregue à faina de pastor (p.239).

                        A morte de Jesus é outro trecho marcante cuja transgressão dessacraliza o dogma católico em que Jesus morreu para nos salvar:

 

 

Jesus morre, morre e já vai deixando a vida, quando de súbito o céu por cima da sua cabeça se abre de par em par e Deus aparece, vestido como estivera na barca, e a sua voz ressoa por toda a terra, dizendo tu és o meu filho amado, em ti pus toda a minha complacência. Então Jesus compreendeu que viera trazido ao engano como se leva o cordeiro ao sacrifício, que a sua vida traçada para morrer desde o princípio dos princípios, e, subindo-lhe à lembrança o rio de sangue e de sofrimento que do seu lado irá nascer e alagar toda a terra, clamou para o céu aberto onde Deus sorria, Homens, perdoai-lhe, porque ele não sabe o que faz. (p.444)

 

                        A inversão de papéis é fundamental para entendermos o que move o texto saramaguiano: aqui não são os homens os culpados pela morte de Jesus, muito menos pelas inúmeras guerras e atrocidades que virão a partir dela; ao contrário, o único culpado é Deus.

                        Assim, podemos dizer que ao dessacralizar, Saramago faz um questionamento profundo de nosso tempo: de nossos dogmas, de nossas crenças; apresenta uma visão crítica, provocativa; rompe com a narrativa tradicional; nos mostra o poder da palavra, da Literatura.

                        Leyla Perrone-Moisés afirma:

 

Se bem observarmos, veremos que todos os romances de Saramago são um “não” à infelicidade histórica do homem. No Memorial do convento, a rebeldia das personagens é um “não” oposto à opressão monárquica e religiosa. O evangelho segundo Jesus Cristo, um “não” às religiões que culpabilizam e sacrificam o homem (2000, p.190)      

 

                        Ela continua:

 

O ceticismo que Saramago tem manifestado, em conferências e entrevistas, com a possibilidade de a Literatura melhorar os homens e influir na história, é felizmente desmentido em suas obras, por suas personagens e pela própria beleza de seus textos, provas, como toda arte, de que o homem  é capaz de trancender a estupidez do real (p. 196)     

 

                        Em Diálogos com José Saramago, Carlos Reis faz a seguinte pergunta ao escritor: “Onde está, então, a razão (ou a necessidade, se preferir) que explica os seus livros?” A resposta é elucidadora de algumas questões aqui levantadas:

 

O que quero dizer com isto é que, se não tenho uma razão para escrever um livro, não o escrevo. E também não vou dizer: agora preciso escrever um livro e tenho que inventar uma história qualquer, porque os leitores e o editor estão à espera, tal como a conta do banco está fraquita; portnto, vou escrever um livro por causa disso.

De qualquer um dos meus romances creio que se pode demonstrar que foram escritos porque o autor deles tem umas quantas questões a resolver que só pode resolver (ou tentar aproximar-se da resolução delas) escrevendo um livro... O que há ali são livros que, como cidadão, como pessoa que sou, diante do tempo, diante da morte, diante do amor, diante da ideia de um Deus existente ou não, diante de coisas que são fundamentais (e que continuarão a ser fundamentais), procuro ali o conjunto de dúvidas, de inquietações, de interrogações que me acompanham, e que podem ser de carácter tão imediatamente político (é o caso de A jangada de pedra ) como podem ser interrogações de outro tipo (p.45).

 

                        A fala de Saramago vem ao encontro do que nos diz Barthes em Aula:

 

A Literatura faz girar os saberes, não fixa nem fetichiza nenhum deles; ela lhes dá um lugar indireto, e esse indireto é precioso. Por um lado, ela permite designar saberes possíveis – insuspeitos, irrealizados: a Literatura trabalha nos interstícios da ciência. A ciência é grosseira, a vida sutil e é para corrigir essa distância que a Literatura nos importa. Por outro lado, o saber que ela mobiliza nunca é inteiro nem derradeiro; a Literatura não diz que sabe de alguma coisa, mas que sabe algo das coisas – que sabe muito sobre os homens (p.18)

 

                       

 

                        Ao trazer à tona a discussão sobre Deus e seu filho, sobre questões históricas, como o relato da construção do convento de Mafra, Saramago vai ao encontro do que nos diz Barthes, ou seja, propõe a seus leitores que vejam e reavaliem a visão de mundo que nos é oferecida.            Este jogo entre o que é tido como certo e a possibilidade dessa certeza estar incorreta é que torna o texto literário extremamente instigante e que o aproxima do humano. Neste sentido, podemos dizer que perpassa à obra de Saramago, um projeto humanista, isto é, fazer com que os seres humanos busquem, não dogmas ou crenças impostas, mas o humano que existe em cada ser vivente.

                        Parece-nos que é esse o convite que nos é feito por Saramago ao dessacralizar e que pode ser resumido pela epígrafe de Ensaio sobre a cegueira: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara” – Livro dos conselhos.

 

 

 

Referências bibliográficas:

 

BARTHES, R. Aula: aula inaugural da cadeira de semiologia literária de Colégio de França, pronunciada dia 7 de janeiro de 1977. 13.ed. São Paulo: Cultrix, 2007.

 

BLOOM, H. Genius: a mosaic of one hundred exemplary creative minds. New York, 2003.

 

MELO E CASTRO, E.M. A Literatura portuguesa de invenção. São Paulo: difel, 1983.

 

PERRONE-MOISÉS, L. Inútil poesia e outros ensaios breves. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

 

REIS, C. Diálogos com José Saramago. Lisboa: Caminho, 1998.

 

SARAMAGO, J. O evangelho segundo Jesus Cristo. 43.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.

 

_________.    Memorial do convento. 19.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.

 

_________.  Ensaio sobre a cegueira. 28.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

 


 

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Gisela Maria de Lima Braga Penha  é professora-doutora da Universidade Federal do Acre (UFAC) de Teoria da Literatura e literaturas em língua portuguesa. É autora da obra A jangada de pedra: uma viagem alegórica à poética de José Saramago, publicada pela Editora Unesp. 
E-mail: gidilima7@gmail.com


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[revista dEsEnrEdoS - ISSN 2175-3903 - ano II - número 7 - teresina - piauí - outubro/novembro/dezembro de 2010]
 
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