Variante Missa do Galo[1]

Lizaine Weingärtner Machado[2]

 




 

Resumo: O presente estudo realiza uma análise comparativa entre o conto Missa do Galo de Machado de Assis e o conto homônimo de Osman Lins, presente na obra Missa do Galo: variações sobre o mesmo tema, de 1977.

Palavras-chave: Machado de Assis; Missa do Galo; Osman Lins, Análise Comparativa.

 

Abstract: This study makes a comparative analysis between the Machado de Assis' tale Missa do Galo and the Osman Lins' homonym tale, present in the work Missa do Galo: variações sobre o mesmo tema, of 1977.

Keywords: Machado de Assis; Missa do Galo; Osman Lins, Comparative Analysis.

 






Missa do Galo: variações sobre o mesmo tema, livro que reúne versões do conto homônimo de Machado de Assis, escritas por autores contemporâneos, surgiu de um trato entre Osman Lins e sua esposa, Julieta de Godoy Ladeira, feito em 1964, que consistia em ambos escreverem versões do referido conto machadiano: Missa do Galo.

            A façanha, combinada entre o casal de escritores, é justificada no prefácio do livro em questão, por Osman Lins:

                                  

Havia exemplos semelhantes na pintura e na música: artistas retomando um tema já realizado por antecessores e desenvolvendo-o a seu modo. Também em literatura, são conhecidas, por exemplo, as inúmeras versões dos dramas gregos, que, inspirados em Homero, chegam até os nossos dias, espelhando, sem perda da identidade, a visão e o modo de operar de escritores muito distanciados entre si no espaço e no tempo. (p.07)

 

 

O projeto de Osman e Julieta fica estagnado por 13 anos, até que Lins expõe a ideia a outros escritores, que aceitam o desafio de reescrever "texto machadiano, que sabíamos insuperável", como alude o autor de Avalovara.

A obra, lançada em 1977, apresenta, além do conto de Machado,  "o modelo", também seis reescrituras, realizadas pelos idealizadores, Osman Lins e Julieta de Godoy Ladeira, e por Antonio Callado, Autran Dourado, Lygia Fagundes Telles e Nélida Piñon. Como alude Lins,

 

        

[...] Julieta de Godoy Ladeira explora a perspectiva da 'boa Conceição'; Nélida Piñon se ocupa de Menezes, cuja intimidade devassa e para quem inventa uma linguagem tão interessante quanto ele; Antonio Callado aproxima-se de uma personagem apenas sugerida por Machado, a mãe de Conceição, levando-nos finalmente a entrever, por um mágico jogo de espelhos, o perfil do grande escritor; Lygia Fagundes Telles, manipulando um estranho "eu" onisciente, procura invadir o mundo do conto, luta por modificá-lo e vê que tal tentativa é vã; Autran Dourado, valendo-se do escrevente, revela-nos, para surpresa de todos, uma Conceição que, à primeira vista, parece contrariar a de Machado, mas na qual acabamos por descobrir, ampliados, certos traços, tênues no original. (p.08)

 

 

Sendo assim, a proposta deste ensaio, consiste em uma análise do conto original de Machado de Assis e a leitura de uma das variações, a de Osman Lins, tarefa que pretende mostrar o diálogo existente entre o conto machadiano e a narrativa posterior, produzida por Lins.

O conto de Machado, publicado no século XIX, é uma obra narrativa de bastante destaque na literatura brasileira, constantemente evocado por autores e críticos. Tal interesse, talvez, se deva à riqueza narrativa do texto, que apresenta uma gama de nuances significativas ao qual, possivelmente, possam ser desconsideradas fazendo-se uma leitura linear do enredo.

O enredo é composto por uma enumeração de episódios cotidianos pautados pelo diálogo entre uma mulher e um adolescente durante a noite de Natal, enquanto o jovem aguarda o horário adequado para se dirigir à Missa do Galo. No entanto, o texto machadiano assume proporções bem mais complexas do que as aparentes.

Missa do Galo é narrado em 1ª pessoa pelo narrador-personagem, Nogueira, que através de flashes de memória resgata os fatos que constituem a ficção, da qual faz parte. Entretanto, a narrativa digressiva não impede que haja um distanciamento entre o narrador-personagem, na idade adulta e o adolescente, que vivenciou as ações descritas. Assim, tal perspectiva e ponto de vista da personagem garantem unidade ao conto que é estruturado por meio das personagens ficcionais, espaço, tempo e, principalmente, pela linguagem, características que remetem ao fator exatidão apontado em Seis propostas para o próximo milênio por Italo Calvino:

 

                           [...] exatidão quer dizer principalmente três coisas:

1)    um projeto de obra bem definido e calculado;

2)    a evocação de imagens visuais nítidas, incisivas, memoráveis [...];

3)    uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação. (CALVINO, 1990, p.71-2).

 

                          

A parcialidade do narrador e a distância temporal estabelecem uma diferença entre os períodos que correspondem à enunciação e o enunciado, ou seja, entre o contar do narrador e o conto propriamente, pois a única verdade existente no conto é a do narrador, fato recorrente em alguns contos como, por exemplo, em O museu Darbot de Victor Giudice, que pode ser dimensionado em "Até a retrospectiva do Guggenheim, eu tinha a pretensão de achar que eu era Darbot. Dali em diante, senti que eu era apenas eu e que, para o futuro, Darbot era Darbot." (GIUDICE, 1999, p.145).

A frase inicial do conto machadiano "Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta." (ASSIS, 1977, p.13) exemplifica o tom reticente e as ambiguidades existentes em Missa do Galo e, sobretudo, desperta interesse no leitor, frente à afirmativa saudosista e em certa medida, conflitante, expressa pelo narrador. Postura leitora defendida em Texto/Contexto por Anatol Rosenfeld, que propõe que o leitor "[...] que não teme esse esforço [...]" (ROSENFELD, 1976, p.83) participe da experiência da personagem.

O pensamento, similar à digressão, da personagem Nogueira, invade a narrativa, como fica claro na frase de abertura do conto, que terá continuidade com a exposição da conversa travada entre o narrador, ainda jovem, e Conceição, a mulher do escrivão Menezes, com quem ele tem um parentesco. As lembranças do narrador envolvem o leitor, por meio da mediação do discurso proporcionado pelas cenas indiretas, o que gera ambiguidades interpretativas, como a presente neste fragmento:

 

Comecei a dizer-lhe os nomes de alguns [livros]. Conceição ouvia-me com a cabeça reclinada no espaldar, enfiando os olhos por entre as pálpebras meio cerradas, sem os tirar de mim. De vez em quando passava a língua pelos beiços, para umedecê-los. Quando acabei de falar, não me disse nada; ficamos assim alguns segundos. Em seguida, vi-a endireitar a cabeça, cruzar os dedos e sobre eles pousar o queixo, tendo os cotovelos nos braços da cadeira, tudo sem desviar de mim os grandes olhos espertos. (ASSIS, 1977, p.16).

 

 

As possíveis ambiguidades presentes no conto se devem ao contínuo jogo de insinuações, descritas por Nogueira, ao longo do diálogo que descreve a mudança comportamental de Conceição, ocasionada pela provocação mútua entre ela e o inexperiente estudante, que viera estudar no Rio de Janeiro. E, neste contexto, cabe ressaltar a consideração de Maurice Blanchot, que nos aponta que "[...] todas las frases, y hasta las más inocentes, corren el riesgo de recibir el mismo estatuto ambiguo que recibe el lenguaje em su limite. Límite que talvez es lo neutro.." (BLANCHOT, 1996, p.586).

Além disso, a conversação central da narrativa de Machado expõe o caráter psicológico das personagens, relatando a ingenuidade do jovem estudante e sua imaginação aflorada que adquire um caráter dúbio ao longo da estrutura narrativa e o  " despertar" de Conceição.

A figura ingênua, vinda do interior, desconhecedora dos hábitos e costumes praticados na Corte daquela época (a história se passa em 1861 ou 1862), é perceptível na passagem em que o "ir ao teatro" de Menezes, consiste em um eufemismo para encobrir o caso extraconjugal da personagem, como pode ser visto neste trecho:

 

Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Menezes que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Menezes trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas, afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito. (ASSIS, 1977, p.13-4).

 

 

Neste mesmo fragmento, também é possível perceber a anulação de Conceição, personagem que suporta a traição do marido, sem fazer alardes, comportando-se de forma excessivamente pacata e resignada e, como se deduz, obedecendo ao padrão comportamental feminino vigente na época.

O conto pressupõe dois mediadores para a reclusão doméstica e a tolerância excessiva da personagem machadiana, o primeiro deles seria a fantasia da personagem, que encontra na imaginação uma forma de refúgio e afastamento para sua vida, opaca e desmotivada. Como mencionado neste excerto:

 

− Bonitos são [quadros]; Mas estão manchados. E depois francamente, eu preferia duas imagens, duas santas. Estas são mais próprias para sala de rapaz ou de barbeiro.

− De barbeiro? A senhora nunca foi à casa de barbeiro...

− Mas imagino que os fregueses, enquanto esperam, falam de moças e namoros, e naturalmente o dono da casa alegra a vista deles com figuras bonitas. Em casa de família é que não acho próprio. É o que eu penso; mas eu penso muita coisa assim esquisita. (ASSIS, 1977, p.19-20).

 

Outro hábito de Conceição que salienta fugacidade é a leitura, interesse da personagem, que é demonstrado na parte inicial do diálogo entre ela e Nogueira, na noite de Natal. A leitura proporciona distanciamento da realidade e serve como saída para o ¡°aprisionamento¡± familiar imposto pelas convenções sociais vigentes.

 

− Que é que estava lendo? Não diga, já sei, é o romance dos Mosqueteiros.

− Justamente: é muito bonito.

− Gosta de romances?

− Gosto.

− Já leu a Moreninha?

− Do Dr. Macedo? Tenho lá em Mangaratiba.

− Eu gosto muito de romances, mas leio pouco, por falta de tempo. Que romances é que você tem lido?

Comecei a dizer-lhe os nomes de alguns. (ASSIS, 1977, p.15-6).

 

O conto evidencia o despertar de Conceição, tal transformação se dá através da ótica do narrador-personagem que ressalta a crescente sensualidade da senhora ao longo do diálogo. O olhar de Nogueira altera a postura e o comportamento de Conceição, fato que o leitor não consegue definir se trata-se apenas de devaneios do narrador ou se o flerte é mútuo e realmente propicia o despertar da libido latente, de ambas as personagens, a recatada e resignada senhora e o ingênuo e inexperiente adolescente.

            A narrativa de Machado sugere muitas possibilidades, mas não relata efetivamente onde findam as intenções das personagens, pois há várias mensagens nas entrelinhas do conto. O desfecho "inconcluso" é outra característica machadiana, presente em a Missa do Galo, que a faz ser uma obra ficcional de grande qualidade e que promove um acordo com o leitor, segundo as considerações de Umberto Eco, em Seis passeios pelos bosques da ficção:

 

A forma básica para se lidar com uma obra de ficção é a seguinte: o leitor precisa aceitar tacitamente um acordo ficcional, que Coleridge chamou de 'suspensão da descrença'. O leitor tem de saber que o que está sendo narrado é uma história imaginária, mas nem por isso deve pensar que o escritor está contando mentiras. [...] Aceitamos o acordo ficcional e fingimos que o que é narrado de fato aconteceu. (ECO, 1994, p.81).

 

 

Na verdade, Machado não explicita categoricamente o que ocorre entre as personagens, a visão do narrador se sobrepõe na trama, tal dado é recorrente no romance Dom Casmurro, em que a suposta traição de Capitu é narrada sob a visão do ciumento Bentinho, ficando impossível afirmar, efetivamente, se houve ou não falha de Capitu, pois a narrativa considera apenas a visão do narrador, questão propositadamente pensada pelo intrigante autor, embora, para Michel Foucault em O que é um autor?, "[...] o autor não é exatamente nem o proprietário nem o responsável por seus textos; não é nem o produtor nem o inventor deles".

A reescritura de Osman Lins segue a postura compósita de Machado e cria certa fidelidade ao modelo prévio. A versão de Lins também é narrada em 1ª pessoa pelo narrador-personagem, Nogueira, mas apresenta variantes nas informações contidas no conto. Entre elas, Nogueira O vermelho e o negro (Stendhal) em substituição ao Os três mosqueteiros (Alexandre Dumas); Menezes é um comerciante de tecidos que mora com a mãe doente e a esposa (no conto de Machado, é a sogra de Menezes, D. Inácia, que habita a casa da Rua do Senado juntamente com o casal, escravas e o agregado, Nogueira). Em síntese, Lins "muda algumas coisas do lugar" em sua variação do conto machadiano:

 

Revejo-me. É como se a grande sala não tivesse paredes e, no entanto, eu não pudesse ver a noite além do amplo quadrado que elas delimitam e onde, num dos ângulos, leio O vermelho e o negro. Conviria, talvez, transportar a cadeira de balanço para sob a lâmpada, no centro do salão, mas nunca me atrevi, nesta casa, a mudar as coisas do lugar, nem mesmo no meu quarto. O antigo relógio de parede, de cujo mecanismo a casa inteira é cúmplice, rege a pequena família. A ordem, aqui, tornou-se uma entidade sobrenatural, espécie de deusa da resignação ou da imobilidade, reinando sobre os cômodos brilhantes e tresandando a cera de assoalho. (LINS, 1977, p.45).

 

            Na variação de Lins, Nogueira deixa de ser um parente distante, primo da primeira mulher de Menezes, para ser um mero agregado, é filho do maior freguês de Menezes. O pernoite, fora de casa, de Menezes é motivado pelo trabalho e não consiste em encontros extraconjugais, além é claro das variações dos objetos descritos, como, por exemplo, o roupão de Conceição, tão observado por ambos os "Nogueiras".

Um dado alterado na releitura de Lins, que assume uma característica importante dentro de sua produção literária, é a estampa de um dos quadros que compõe a sala de visitas, onde a cena do diálogo se passa, que se trata de uma jovem tangendo um bandolim. Segundo Ana Luiza de Andrade, em matéria publicada na Revista Cult, o fato não é aleatório nas obras de Osman, pois o autor a partir do olhar literário

 

[...] nutrido pela tradição popular, [...] transita pela indústria cultural de consumo de massa, fazendo sua palavra circular por formas artísticas, eruditas e populares, que, ao se modernizarem, registram, a contrapelo dos progressismos técnicos, uma crônica da mão, instrumento do corpo, no seu ir e vir à maquina automática. Assim, a arte de escrever reconstrói pontes perdidas com as artes plásticas em geral, não só com a arte da pintura, mas com a da música e a do teatro, em que atores são desenhados nas mãos. Na sua obra, abundam instrumentos manuais. As próprias mãos chegam a ser instrumentalizadas na escultura de figuras de barro e, até mesmo, na interpenetração com a música, erudita (Carmina Burana) e popular, no dedilhar o bandolim ou a rebeca. (ANDRADE, 2001, p.51-2). [grifo meu]

 

 

Osman Lins captura a aura do ambiente, criado por Machado, e, além disso, as regras e as engrenagens da casa da Rua do Senado são barbaramente descritas pelo escritor moderno, que segundo Ana Luiza de Andrade, vincula-se "[...] a uma estética barroca de fins da modernidade ao lado de Clarice Lispector e Guimarães Rosa."(ANDRADE, 2001, p.52).

Ambas as narrativas, Missa do Galo, são constituídas através da perspectiva do narrador, que faz parte da trama e por meio da memória relata os acontecimentos que compõem os contos. As histórias são enriquecidas pelos movimentos e falas das personagens que proporcionam o clímax das narrativas e em ambos os desfechos fogem à lógica pretendida pelo leitor, que se vê envolvido pelas narrações e imagina que o respectivo conto finde com a aproximação das personagens, situação que não ocorre na obra machadiana, peculiar e partidária do "desfecho subjetivo", e que também acomete a releitura de Osman Lins.

A riqueza das narrativas possibilita uma imensidão de pontos de vista, além dos aqui abordados, como evidencia Roland Barthes:

                             

Diante da infinidade de narrativas, da multiplicidade de pontos de vista pelos quais se podem abordá-las (histórico, psicológico, sociológico, etnológico, estético, etc.), o analista encontra-se quase na mesma situação que Saussure, posto diante do heteróclito da linguagem e procurando retirar da anarquia aparente das mensagens um princípio de classificação e um foco de descrição. (BARTHES, 1973, p.20).

 

 

Afinal, a luz da narrativa não elucida o conto, há um  "jogo" que não finda com o término da história, caráter que segundo Maurice Blanchot, deve-se à voz narrativa, que é onisciente e cria reflexões acerca das personagens.

A temática da reescritura, contida nas variações sobre o conto de Machado de Assis, assemelha-se com A quinta História de Clarice Lispector, onde uma história ¡°contém¡± a outra com o acréscimo de características e perspectivas sobre uma mesma história, fato que também se realiza na variação de Osman Lins, com a ressalva evidente de o conto não ser idêntico ao original, acrescido apenas de novas características, assim como na obra de Clarice Lispector, que é constituída por alegorias, certamente trata-se de uma releitura machadiana à altura que poderia possuir vários nomes possíveis, como na história clariceana:

 

Esta história poderia chamar-se "As Estátuas". Outro nome possível é 'O Assassinato'. E também 'Como Matar Baratas'. Farei então pelo menos três histórias, verdadeiras porque nenhuma delas mente a outra. Embora uma única, seriam mil e uma, se mil e uma noites me dessem. (LISPECTOR, 1977, p.81).

 

            Além disso, o caráter enigmático, presente na forma narrativa de Machado de Assis, também se apresenta no conto de Osman Lins. A forma infinita da narrativa e as ambiguidades interpretativas aludem à linguagem, que é o principal dos enigmas, presente nos contos.

A mágica da linguagem machadiana, enredo e desfecho instigantes e refinamento argumentativo são preservados por Osman Lins, no entanto, além da preservação de tais características, o escritor ainda acrescenta ao texto um apego à palavra "como instrumento de feitiço", segundo Ana Luiza de Andrade. Afinal, como define Osman Lins em Avalovara, "a palavra sagra os reis, exorciza os possessos, efetiva os encantamentos. Capaz de muitos usos, também é bala dos desarmados e o bicho que descobre as carcaças podres", feitiço que aproxima autores pertencentes a épocas e estéticas distintas unidos pelo enigma maior, a linguagem.

 

 

REFERÊNCIAS

 

ANDRADE, Ana Luiza de. Entre feitiço e fetiche. Revista Cult. São Paulo, p. 50-52, jul. 2001.


ASSIS, Machado de, et al. Missa do galo: variações sobre o mesmo tema. São Paulo: Summus, 1977.


BARTHES, Roland, et al. Análise estrutural da narrativa. Petrópolis: Vozes, 1973.


BLANCHOT, Maurice. El diálogo inconcluso. Caracas: Monte Ávila, 1996.


CALVINO, Italo. Seis propostas para o próximo milênio. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.


ECO, Umberto. Seis passeios pelos bosques da ficção. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.


GIUDICE, Victor. O museu Darbot e outros mistérios & Do catálogo de flores. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999.


LISPECTOR, Clarice. A legião estrangeira. São Paulo: Ática, 1977.


ROSENFELD, Anatol. Texto/ Contexto. São Paulo: Perspectiva, 1976.


______________________
[1]  Trabalho proposto para a disciplina Teoria da Literatura III (A narrativa ficcional) ministrada pelo Prof. Dr. Carlos Eduardo Schmidt Capela; Semestre 2006/1.
 Bacharel e Licenciada em Letras ¨C Língua Portuguesa e Literaturas pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina); E-mail:
lizainewm@yahoo.com.br.

[2] Lizaine Weingärtner Machado é Bacharel e Licenciada em Letras ¨C Língua Portuguesa e Literaturas pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina);

E-mail: lizainewm@yahoo.com.br.

 


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[revista dEsEnrEdoS - ISSN 2175-3903 - ano II - número 7 - teresina - piauí - outubro/novembro/dezembro de 2010] 
 
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