“A BALSA” DE DA COSTA E SILVA

Mediação entre natureza e cultura

WANDERSON LIMA

O poema “A balsa”, de Da Costa e Silva, incluído em Zodíaco (lançado em 1917), costuma ser lido como uma evocação lírica da paisagem piauiense, marcada por um tom nostálgico e descritivo:

Esfolha-se a manhã em rosas de ouro,
Sobre o rio caudal de águas ligeiras,
A rolar em cachões nas cachoeiras,
Onde espuma rugindo como um touro.

Os barcos, a sonhar no ancoradouro,
Velas ao sol como asas e bandeiras,
Agitam-se às canções das lavadeiras
Que, pela riba, vão cantando em coro.

E rio abaixo, sobre as águas claras,
À superfície móvel da corrente,
Desce uma tosca embarcação de varas.

É a balsa – a leve habitação flutuante,
Simples e boa, que transporta a gente
Da minha terra, no sertão distante…

No entanto, essa leitura, embora pertinente, tende a permanecer na superfície imagética do texto, deixando em segundo plano a organização mais profunda que sustenta a construção simbólica do soneto. Com a ajuda do modelo estruturalismo de Claude Lévi-Strauss (2008), esse ensaio, se bem-sucedido, tentará mostrar essa organização mais profunda, buscando entrever, sob a bem arquitetada tessitura lírica, uma lógica de relações fundada em oposições e mediações.

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