JOSÉ ELIAS
Água.
Fria demais.
Escura demais.
O corpo entra antes da decisão. Um passo em falso. O chão some. O peso puxa. O mundo vira baixo e cima ao mesmo tempo. O choque corta o fôlego.
Braços se agitam. Errados. Rápidos demais. A água entra na boca. Amarga. Dura.
Ele tenta subir. Não sobe.
As pernas chutam o vazio. Os braços batem em algo que não cede. Pedra? Madeira? Não importa. O ar não vem. O peito queima. Queima rápido demais. Não.
O pensamento não termina.
O corpo entra em pânico antes da mente entender. Ele se debate, gira, perde a noção de onde está a superfície. Tudo é peso. Tudo empurra para baixo. A água invade os ouvidos, os olhos, o nariz.
Ele tenta gritar. A boca abre.
A água entra.
O som morre ali.
