WANDERSON LIMA
Publicado em 1984, Balada do nadador do infinito ocupa um lugar singular na trajetória literária de Álvaro Pacheco, marcando um ponto de inflexão formal em sua produção, na medida em que abandona a lógica da coletânea de poemas autônomos para assumir deliberadamente a forma de um único poema extenso, de estrutura quase narrativa, cujo movimento lembra mais o de uma partitura sinfônica do que o de um livro lírico tradicional. Trata-se, com efeito, de um poema de fôlego, organizado por variações sucessivas em torno de um mesmo núcleo temático – inspirado, como se sabe, num episódio real de suicídio noticiado em 1983 –, mas que, ao se desdobrar, vai progressivamente deslocando o foco do acontecimento em si para uma investigação mais ampla e difusa sobre a condição humana, suas perplexidades, seus impasses e suas zonas de silêncio.
